Chanceler questiona encontro de diplomata americano com ex-presidente em ano eleitoral
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, manifestou preocupação sobre a visita do assessor do governo dos Estados Unidos, Darren Beattie, ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena em Brasília. Segundo Vieira, o encontro pode representar uma interferência indevida nos assuntos internos do Brasil, especialmente por ocorrer em ano eleitoral.
Em ofício encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator do pedido para autorizar a visita, o chanceler destacou que Beattie está oficialmente no país para participar do Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos, marcado para 18 de março em São Paulo. No entanto, a embaixada americana não indicou nenhuma agenda relacionada a encontros fora do evento.
A defesa de Bolsonaro solicitou que a visita ocorra nos dias 16 ou 17 de março, acompanhada de um tradutor, datas em que Beattie estará no Brasil a trabalho. Moraes autorizou o encontro, mas determinou que seja realizado no dia 18. A visita será feita no 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha, onde Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses por envolvimento em trama golpista.
O Itamaraty também informou que está em negociação uma reunião entre Beattie e o secretário de Europa e América do Norte da pasta, prevista para 17 de março, ainda sem confirmação. A questão segue sob análise das autoridades brasileiras para garantir que a visita respeite os protocolos e evite interferências diplomáticas indevidas.
