Protesto em Brasília cobra exclusão de área ambiental do pacote de socorro financeiro ao BRB

Manifestantes defendem preservação da Serrinha do Paranoá, ameaçada por garantia do governo

Um grupo formado por ambientalistas, acadêmicos e moradores realizou neste domingo (15) um protesto em Brasília contra a inclusão da Serrinha do Paranoá no projeto do governo do Distrito Federal para socorrer financeiramente o Banco de Brasília (BRB). A área, localizada entre Varjão e Paranoá, é reconhecida por sua importância ecológica, hídrica e climática para a região.

A Serrinha do Paranoá abriga cerrado nativo, nascentes e ao menos 119 minas d’água que abastecem o Lago Paranoá, fundamental para o fornecimento de água à população local. Apesar de iniciativas para recuperar a vegetação e proteger as nascentes, o governo autorizou o uso de uma gleba de 716 hectares como garantia para empréstimos de até R$ 6,6 bilhões ao BRB.

O banco enfrenta dificuldades financeiras após prejuízos relacionados à compra de carteiras de crédito do Banco Master, atualmente sob investigação por suspeitas de fraudes. A medida do governo distrital tem sido criticada por especialistas e moradores, que alertam para o risco de impermeabilização do solo e perda das nascentes, o que comprometeria o abastecimento hídrico.

Representantes da sociedade civil destacam que a área possui valor ambiental e social superior ao valor comercial, e que a decisão transfere à população o custo ambiental da crise financeira do banco. O governador Ibaneis Rocha, por sua vez, afirmou que não há nascentes na gleba incluída no projeto e defendeu a legalidade e necessidade da medida.

O debate envolve questões ambientais, econômicas e sociais, com a comunidade local e órgãos ambientais solicitando a revisão do uso da área para garantir a preservação dos recursos naturais essenciais para o Distrito Federal.