Iniciativa promove acesso à cultura para comunidades periféricas
Moradores do bairro de Águas Claras, em Salvador, participaram no último sábado (8) de um passeio cultural que os levou ao centro histórico da cidade e à Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô). Entre os participantes estavam mulheres acima de 60 anos e famílias que, pela primeira vez, tiveram contato com instituições culturais como a Fundação Casa de Jorge Amado e o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab).
O projeto, realizado pelo Instituto Motiva, tem como objetivo ampliar o acesso à cultura para estudantes da rede pública e membros de organizações sociais, oferecendo visitas gratuitas a importantes espaços culturais em Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro. A iniciativa surge em resposta à desigualdade no acesso a equipamentos culturais no Brasil, onde menos de um terço dos municípios possui museus e a participação em eventos culturais é concentrada em grupos de maior renda.
Para moradores de Águas Claras, que fica a cerca de 25 minutos do centro histórico, a oportunidade representou uma mudança significativa. A comunidade, tradicionalmente afastada das atividades culturais da cidade, tem apresentado maior engajamento e autoestima, impulsionada também pela chegada do metrô e melhorias no transporte público.
A articuladora territorial do bairro, Aline Dias, destaca a importância de políticas públicas que valorizem as manifestações culturais locais e ampliem a participação das comunidades em eventos fora de seus territórios. Ela ressalta que ações como a Flipelô ainda são pouco acessíveis para muitos moradores, tornando iniciativas como o Circuito Cultural fundamentais para promover inclusão e diversidade cultural.
O projeto reforça a visão de que a cultura é uma ferramenta poderosa para transformação social e educação, contribuindo para o fortalecimento da identidade e o desenvolvimento das comunidades periféricas em Salvador.