Restos de Grenaldo Silva, vítima da ditadura, são sepultados em São Paulo após 54 anos

Cerimônia marca avanço na memória e justiça para desaparecidos políticos

Os restos mortais de Grenaldo de Jesus Silva, morto em 1972 durante a ditadura militar brasileira, foram sepultados nesta sexta-feira (26) no Cemitério Dom Bosco, em Perus, São Paulo, 54 anos após sua morte. O enterro ocorreu em uma cerimônia que reuniu familiares, autoridades e representantes de órgãos de direitos humanos, com homenagens emocionadas e a presença da ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello.

Grenaldo Silva, ex-militar da Marinha, foi morto ao tentar capturar uma aeronave no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Seu corpo foi enterrado inicialmente como indigente em uma vala clandestina no mesmo cemitério, descoberta em 1990, onde foram encontrados ossos de vítimas da repressão e de outras violências do período. A identificação dos restos mortais foi possível graças ao trabalho conjunto da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, do Ministério dos Direitos Humanos, da Universidade Federal de São Paulo e da concessionária que administra o cemitério.

Durante a cerimônia, o filho de Grenaldo, que carrega seu nome, fez uma homenagem emocionante, destacando a importância de finalmente dar um lugar digno ao pai. A ministra Janine Mello ressaltou o simbolismo do momento, especialmente por ocorrer no Dia Internacional de Apoio às Vítimas da Tortura, e reafirmou o compromisso do governo federal com a memória, a verdade, a reparação e a justiça para as vítimas da ditadura.

A vala clandestina de Perus, onde Grenaldo foi inicialmente enterrado, foi descoberta durante investigações sobre homicídios praticados por policiais militares. Desde então, esforços têm sido feitos para identificar os restos mortais encontrados, embora o processo tenha enfrentado interrupções e críticas. Até o momento, apenas seis vítimas da ditadura foram identificadas entre as ossadas da vala.

O sepultamento de Grenaldo Silva representa um marco para as famílias das vítimas e para a sociedade brasileira, simbolizando a luta pela memória e pela justiça dos desaparecidos políticos. O evento reforça a necessidade de continuar o trabalho de identificação e reparação das vítimas da repressão durante o regime militar.