Morre em São Paulo Elza Berquó, pioneira da demografia brasileira

Matemática e pesquisadora faleceu aos 100 anos

A demógrafa Elza Salvatori Berquó faleceu nesta quinta-feira (16), em São Paulo, aos 100 anos. Reconhecida por sua contribuição fundamental aos estudos populacionais no Brasil, ela foi professora e pesquisadora que dedicou décadas à análise de dados demográficos e censitários, influenciando a compreensão das transformações sociais e urbanas no país.

Natural de Guaxupé (MG), Elza formou-se em Matemática pela Universidade Católica de Campinas e concluiu mestrado em Estatística na USP em 1949. Também fez especialização em Bioestatística na Columbia University, nos Estados Unidos. Sua carreira incluiu atuação na Faculdade de Saúde Pública da USP e a cofundação do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) em 1969, ao lado de intelectuais como Fernando Henrique Cardoso.

Berquó foi uma das fundadoras do Núcleo de Estudos de População da Unicamp (Nepo), que desde 2014 leva seu nome. Em 1995, criou e presidiu a Comissão Nacional de População e Desenvolvimento, órgão federal que orienta políticas públicas na área. Ela defendia o acesso a métodos contraceptivos, direitos reprodutivos e discutia questões como mortalidade infantil com rigor acadêmico e compromisso social.

Sua trajetória é lembrada pela contribuição à demografia e pelo engajamento em direitos humanos, consolidando seu legado como referência no campo. Instituições e pesquisadores destacam sua influência na formação de profissionais e no desenvolvimento de pesquisas essenciais para o Brasil contemporâneo.

Elza Berquó deixa um importante legado científico e institucional que continuará a inspirar estudos populacionais e políticas públicas no país.