Compositor e arranjador deixou legado musical ainda pouco reconhecido no Brasil
Moacir Santos, compositor, arranjador e maestro nascido no Sertão de Pernambuco, completaria 100 anos em 26 de julho de 2026. Sua obra é marcada pela fusão inovadora entre ritmos afro-brasileiros e jazz, consolidando uma identidade musical única, embora seu trabalho ainda careça de maior valorização nacional.
Entre suas composições mais emblemáticas está "Nanã", homenagem à orixá das religiões afro-brasileiras, que se tornou tema do filme "Ganga Zumba" e foi interpretada por diversos artistas renomados, como Nara Leão, Tim Maia e Kenny Burrell. Moacir iniciou sua trajetória musical ainda criança, tocando em bandas marciais no interior de Pernambuco, e percorreu o Nordeste em orquestras de circo e bandas militares durante a adolescência.
No Rio de Janeiro, trabalhou na Rádio Nacional como saxofonista e arranjador, além de ser professor de grandes nomes da música brasileira, como Baden Powell e João Donato. Seu álbum "Coisas", lançado em 1965, é considerado sua obra-prima, reunindo composições que sintetizam sua pesquisa sobre música afro-brasileira e jazz.
Em 1967, mudou-se para os Estados Unidos, onde continuou sua carreira como compositor e professor, lançando álbuns pela gravadora Blue Note e recebendo indicações ao Grammy. Sua influência foi reconhecida em eventos como o Free Jazz Festival, e sua obra tem sido revisitada por músicos contemporâneos em projetos que destacam sua contribuição para a música brasileira.
As comemorações pelo centenário de Moacir Santos incluem eventos e aulas que buscam resgatar e difundir sua estética musical, ressaltando a importância de seu legado para as futuras gerações. O maestro faleceu em 2006, em Los Angeles, deixando uma obra que permanece referência na interseção entre tradição afro-brasileira e erudição musical.