Decisão ocorre após registro de dois óbitos e 42 reações adversas graves
O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante produzido pelo Instituto Butantan. A medida foi tomada após a identificação de 42 casos com sintomas graves, incluindo três internações e dois óbitos, entre os mais de 500 mil vacinados no país.
Segundo o ministro Alexandre Padilha, embora ainda não seja possível afirmar que a vacina causou os eventos adversos, os casos representam um alerta que será investigado por um comitê de especialistas em conjunto com a Anvisa e o Butantan. A suspensão vale exclusivamente para a vacina do Butantan e não afeta o imunizante Qdenga, produzido pela Takeda e também utilizado no Sistema Único de Saúde (SUS).
A vacina foi incorporada ao SUS em janeiro de 2026, com aplicação inicial em municípios-piloto como Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), voltada para pessoas entre 15 e 59 anos. Em fevereiro, a vacinação também passou a contemplar profissionais de saúde da atenção primária, grupo no qual os casos graves foram registrados.
O ministério reforça que a decisão não invalida a eficácia do imunizante e que os vacinados continuam protegidos contra a dengue. As investigações buscarão identificar fatores de risco, histórico clínico e possíveis causas alternativas para os eventos adversos. A população que recebeu a vacina nos últimos 21 dias terá acompanhamento especial e deve procurar atendimento médico caso apresentem sintomas como febre alta, dor abdominal intensa, vômitos persistentes ou sangramentos.
A vigilância é parte da rotina do Programa Nacional de Imunizações (PNI), que continuará monitorando os desdobramentos para garantir a segurança da população.