Filme ‘Aqui Não Entra Luz’ expõe segregação dos quartos de empregadas domésticas no Brasil

Documentário estreia nos cinemas e traz relatos de mulheres sobre desigualdade histórica

O documentário "Aqui Não Entra Luz", dirigido por Karol Maia, estreia nos cinemas trazendo à tona a segregação dos chamados "quartos de empregada" nas residências brasileiras. O filme acompanha a trajetória de cinco mulheres que atuam ou atuaram como empregadas domésticas em diferentes estados do país, revelando as condições e a divisão espacial que refletem desigualdades sociais.

Karol Maia, que também assina o roteiro, baseou o longa em suas experiências pessoais, especialmente acompanhando a mãe durante o trabalho doméstico na infância. A cineasta destaca que esses espaços destinados às empregadas são geralmente pequenos e localizados próximos à área de serviço, evidenciando uma arquitetura que reforça a segregação social e econômica.

Entre as histórias apresentadas, está a de Maria do Rosário Rodrigues de Jesus, de Minas Gerais, que compartilha as dificuldades enfrentadas desde a infância e a busca por dignidade na profissão. O filme também aborda a herança colonial presente na estrutura das casas brasileiras, comparando a conservação das senzalas com os espaços destinados aos trabalhadores domésticos.

Além do lançamento do documentário, a temática ganha destaque no Congresso Nacional, onde um projeto de lei busca proibir o uso das expressões "quarto de empregada" e termos similares em projetos arquitetônicos, como forma de combater a naturalização da desigualdade no ambiente doméstico.

"Aqui Não Entra Luz" oferece um olhar sensível e crítico sobre a história e a persistência das desigualdades no trabalho doméstico, convidando à reflexão sobre mudanças culturais e sociais necessárias.