Fachin contesta relatório dos EUA que acusa STF de censura digital

Presidente do Supremo rebate críticas sobre liberdade de expressão

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, respondeu nesta quinta-feira (2) às acusações feitas em relatório do Comitê Judiciário da Câmara dos Estados Unidos, que apontou supostos atos de censura contra plataformas digitais por parte do ministro Alexandre de Moraes. O documento, elaborado por parlamentares alinhados ao ex-presidente Donald Trump, critica decisões que resultaram na suspensão de perfis de brasileiros residentes nos EUA, acusados de ataques virtuais às instituições brasileiras.

Em nota oficial, Fachin classificou o relatório como contendo "caracterizações distorcidas" sobre as decisões do STF, ressaltando que o ordenamento jurídico brasileiro protege a liberdade de expressão, embora reconheça que esse direito não é absoluto. Segundo ele, em situações específicas, a liberdade de expressão pode sofrer limitações para garantir a eficácia de outros direitos fundamentais e impedir a prática de crimes previstos em lei.

O presidente do STF destacou que as medidas adotadas pelo ministro Alexandre de Moraes ocorreram no âmbito de investigações contra milícias digitais, que são acusadas de crimes contra a democracia e tentativas de golpe de Estado. Fachin reforçou que a Constituição Federal de 1988, interpretada pelo STF, coloca a liberdade de expressão como um direito preferencial, mas que outros direitos podem prevalecer em caráter excepcional, especialmente quando a expressão é usada para cometer crimes.

Com isso, Fachin reafirma a posição do STF diante das críticas internacionais, defendendo a legalidade e a necessidade das ações para proteger a ordem democrática no Brasil.