Levantamento do NetLab/UFRJ revela crescimento e monetização desses conteúdos
Um estudo recente do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (NetLab) da Universidade Federal do Rio de Janeiro identificou 123 canais brasileiros ativos no YouTube que propagam conteúdos misóginos. Juntos, esses canais acumulam mais de 130 mil vídeos e somam cerca de 23 milhões de inscritos, número que cresceu 18,5% desde abril de 2024, com mais de 3,6 milhões de novas assinaturas.
O levantamento, divulgado logo após o Dia Internacional da Mulher, atualiza dados de 2024, quando foram mapeados 137 canais. Desde então, 14 canais foram removidos, enquanto 20 mudaram de nome, mas continuam veiculando material misógino. A maioria dos vídeos foi publicada a partir de 2021, com 52% entre janeiro de 2023 e abril de 2024, e cerca de 25 mil novos vídeos lançados desde então.
Além da disseminação do discurso de ódio, os criadores desses canais utilizam estratégias de monetização, como anúncios do YouTube, programas de membros, vendas de e-books e transferências via Pix. Cerca de 80% dos canais adotam alguma forma de geração de receita, configurando a misoginia como um nicho comercial.
O estudo também aponta que o conteúdo misógino vai além do ódio explícito, abrangendo desprezo, aversão e ideologias que promovem a subjugação das mulheres. Expressões ofensivas e termos depreciativos são comuns, e há uso de códigos e imagens para disfarçar o discurso, dificultando a moderação pela plataforma.
Especialistas do NetLab defendem maior responsabilização das plataformas digitais e a criminalização da misoginia online, alinhando o combate ao discurso de ódio na internet às leis vigentes fora dela. A Google, responsável pelo YouTube, foi procurada para comentar, mas não retornou até o momento.
