Obra destaca legado do pesquisador no Museu do Folclore, no Catete
Um mural dedicado ao etnólogo e pesquisador da cultura afro-brasileira Edison Carneiro foi inaugurado nesta sexta-feira (13) no terraço do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, no bairro do Catete, zona sul do Rio de Janeiro. A obra, realizada pelo projeto Negro Muro, ocupa uma parede inteira do Museu do Folclore que leva o nome do intelectual baiano.
O painel retrata Edison Carneiro vestido de terno branco, caminhando alegremente por Salvador, sua cidade natal, acompanhado de livros que simbolizam sua trajetória acadêmica. Ele também é representado como Exu, orixá que simboliza a comunicação e a ligação entre os mundos, reforçando sua importância na valorização das religiões afro-brasileiras. Elementos da cultura popular, como capoeiristas, um boizinho de barro e referências ao samba, aparecem ao redor da figura central.
Carneiro é reconhecido por seus estudos sobre relações étnico-raciais, folclore e religiões de matriz africana, além de ter sido um defensor da liberdade religiosa em um período marcado por preconceitos. Durante a inauguração, foi anunciada uma parceria entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) para ampliar o Museu do Folclore, com a construção de uma nova unidade nos jardins do Museu da República, ao lado do espaço atual.
O projeto Negro Muro, responsável pela pintura, contou com o apoio do Museu do Folclore, que foi dirigido por Carneiro entre 1960 e 1964. A escolha do local e dos elementos presentes no mural buscou resgatar a ligação do pesquisador com o espaço e o bairro, valorizando sua contribuição para a cultura popular e afro-brasileira no Rio de Janeiro.
A homenagem reforça a importância de Edison Carneiro como referência na pesquisa e divulgação das tradições afro-brasileiras, consolidando seu legado para as futuras gerações.
