Pesquisa destaca papel climático do Cerrado e alerta para riscos na conservação
Um estudo recente publicado na revista New Phytologist aponta que as áreas úmidas do Cerrado, como veredas e campos úmidos, podem armazenar até seis vezes mais carbono por hectare do que a média da Amazônia. A pesquisa, conduzida por cientistas brasileiros e internacionais, analisou amostras de solo com profundidade de até quatro metros, revelando estoques de carbono muito superiores aos identificados em estudos anteriores, que se limitavam a camadas superficiais.
Os resultados indicam que essas regiões do Cerrado acumulam cerca de 1.200 toneladas métricas de carbono por hectare, com material orgânico datado em até 20 mil anos. A baixa oxigenação dos solos úmidos contribui para a preservação desse carbono, retardando a decomposição da matéria orgânica. O bioma, que ocupa aproximadamente 26% do território brasileiro, é conhecido por sua biodiversidade e por abrigar nascentes de importantes bacias hidrográficas.
Os pesquisadores alertam que a degradação dessas áreas, causada pela expansão agrícola, drenagem e uso intensivo da água, pode liberar grandes quantidades de gases de efeito estufa, agravando as mudanças climáticas. Estima-se que até metade das áreas úmidas do Cerrado já tenha sofrido algum tipo de impacto. O estudo reforça a necessidade de ampliar a proteção desses ambientes, reconhecendo seu papel estratégico no armazenamento de carbono e no equilíbrio climático.
Com o aumento das temperaturas e a intensificação dos períodos secos, a tendência é que o carbono armazenado seja liberado em maior escala, elevando o risco climático. A pesquisa destaca a urgência de políticas que conciliem a conservação do Cerrado com as demandas do agronegócio, evitando a perda irreversível desse importante estoque de carbono.
