Primeira mulher trans na Superliga vê retrocesso na política da Confederação Brasileira de Voleibol
Tifanny, oposta do Osasco São Cristóvão Saúde e primeira mulher transgênero a atuar na Superliga Feminina de Vôlei, manifestou-se contra a recente política da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) que restringe a participação de atletas trans nas competições femininas. A nova regra exige que as jogadoras tenham sido designadas do sexo feminino ao nascer, o que impede a continuidade de Tifanny na modalidade.
A jogadora de 41 anos classificou a medida como um "enorme retrocesso", destacando que a decisão não afeta apenas sua carreira, mas também o clube, a torcida e o direito de pessoas trans à inclusão no esporte. Ela ressaltou que a política remete a práticas discriminatórias do passado, como os testes vexatórios aplicados a atletas nas décadas de 1960 e 1970.
Apesar da nova regra, Tifanny participou da estreia do Osasco no Campeonato Paulista, realizada no último sábado (15), graças à decisão da Federação Paulista de Volleyball (FPV) de manter o regulamento vigente até o fim do torneio. No entanto, a CBV informou que a política valerá para as próximas competições nacionais, alinhando-se às diretrizes do Comitê Olímpico Internacional e da Federação Internacional de Voleibol.
Segundo a CBV, as atletas deverão apresentar resultado negativo para o gene SRY, substituindo o critério anterior que considerava apenas os níveis de testosterona. A mudança já está em vigor para a Superliga, Supercopa, Copa Brasil e o Circuito Brasileiro de vôlei de praia.
Tifanny afirmou que seguirá lutando pela visibilidade e inclusão das pessoas trans no esporte, comprometendo-se a tomar todas as medidas necessárias para garantir seus direitos. A jogadora é reconhecida por sua trajetória no vôlei feminino desde 2017 e por ter sido campeã da Superliga em 2025, marcando história como a primeira atleta trans a conquistar o título.