Projeto Aruanã documenta aumento de avistamentos na região
Pesquisadores e pescadores artesanais têm observado um retorno significativo das tartarugas-cabeçudas na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, fato que vem sendo registrado sistematicamente desde 2024 pelo Projeto Aruanã, dedicado à conservação das tartarugas marinhas no litoral fluminense. Em abril de 2026, duas tartarugas foram marcadas dentro de currais de pesca, um evento inédito que abre novas possibilidades para estudos sobre a espécie.
A tartaruga-cabeçuda, que normalmente habita áreas oceânicas e se alimenta de crustáceos, tem apresentado uma presença mais constante em águas internas da baía, o que pode indicar a existência de condições favoráveis de alimentação. Relatos antigos apontavam aparições esporádicas, mas sem registros sistematizados. Desde meados de 2025, o número de avistamentos aumentou, incluindo a entrada dos animais nos currais de pesca.
O Projeto Aruanã planeja avançar no monitoramento da espécie com o uso de transmissores via satélite para mapear rotas, tempo de permanência e áreas preferenciais dentro da baía. Apesar da possível oferta alimentar, os riscos para as tartarugas permanecem elevados, incluindo poluição, colisões com embarcações, ingestão de resíduos e captura acidental.
A coordenadora do projeto destaca que não há evidências suficientes para associar o reaparecimento das tartarugas a uma melhora ambiental da Baía de Guanabara, embora os registros indiquem a resiliência da biodiversidade local. A participação ativa de pescadores e moradores tem sido fundamental para o monitoramento, fornecendo informações e auxiliando na marcação e avaliação dos animais.
O caso da tartaruga Jorge, que após reabilitação e soltura foi monitorada entrando na baía, reforça o interesse e a importância da conservação da espécie na região. O acompanhamento contínuo busca contribuir para a proteção e o entendimento do comportamento das tartarugas-cabeçudas na Baía de Guanabara.
