Indígenas exigem voz ativa na COP17 contra a desertificação em Ulaanbaatar

Povos tradicionais protestam por participação efetiva nas decisões do evento

Indígenas de diversas regiões do mundo manifestaram-se nesta quinta-feira (20) em Ulaanbaatar, Mongólia, durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17). Eles reivindicam inclusão plena nas negociações oficiais, criticando o espaço reservado a eles como simbólico e insuficiente para garantir sua participação significativa.

Líderes indígenas destacaram a importância do reconhecimento dos seus direitos territoriais e do conhecimento ancestral para enfrentar a crise ambiental. A representante da Associação das Mulheres Indígenas Peules do Chade, Oumarou Ibrahim Hindou, ressaltou que a presença dos povos tradicionais não pode ser limitada a um papel decorativo, mas deve influenciar efetivamente as decisões dos governos presentes.

Além disso, os manifestantes pedem a reintegração dos temas de gênero e participação social na agenda oficial da conferência, pontos retirados a pedido dos Estados Unidos. Sonia Astuhuamán Pardavé, líder quechua do Peru, enfatizou o papel dos indígenas como guardiões da natureza e alertou para as consequências da exclusão dessas comunidades nas políticas ambientais.

Na mesma data, foi divulgada a Declaração de Ulaanbaatar, documento que destaca a relevância dos povos pastoris e indígenas na conservação da biodiversidade e na segurança alimentar. O texto defende o reconhecimento dos direitos territoriais e da mobilidade como estratégias essenciais para adaptação às mudanças climáticas, além de solicitar acesso direto a recursos financeiros para fortalecer a resiliência dessas comunidades.

Os participantes da COP17 pedem que a Declaração seja incorporada aos resultados oficiais do evento e anunciam um novo encontro global para 2030, reforçando a necessidade de protagonismo dos povos indígenas e tradicionais nas políticas contra a desertificação.