Medidas do governo Trump facilitam acesso ilegal a armamento pesado no Brasil
O pacote de 34 medidas para flexibilizar a venda de armas nos Estados Unidos, promovido pelo governo de Donald Trump, deve ampliar o acesso de facções criminosas brasileiras a armamento pesado, segundo especialistas em segurança pública. Entre as mudanças propostas pelo Departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos dos EUA (ATF) estão a permissão para compra de armas via correios, redução do prazo para manutenção de registros de vendas e flexibilização na verificação dos antecedentes dos compradores.
Estudos indicam que os EUA são a principal origem de fuzis ilegais apreendidos no Sudeste do Brasil. Pesquisa publicada no Journal of Illicit Economies and Development aponta que, entre 2019 e 2023, 54% dos 1,7 mil fuzis ilegais confiscados na região vieram dos Estados Unidos. Especialistas destacam ainda o problema das peças semiprontas, que são desmontadas e enviadas por correio, dificultando a fiscalização e o combate ao tráfico.
Além do Brasil, países como México e nações do Caribe também enfrentam o impacto da flexibilização americana, já que grande parte das armas apreendidas nessas regiões tem origem nos EUA. Em 2025, o governo Trump revogou restrições para exportação de armas a 36 países, incluindo vizinhos do Brasil com histórico de desvio para o crime organizado.
Pesquisadores ressaltam a contradição da política americana, que classifica cartéis como organizações terroristas, mas ao mesmo tempo amplia o acesso a armas que abastecem essas facções. O lobby da indústria bélica dos EUA é apontado como um fator que mantém a liberalização das regras, mesmo diante dos riscos para a segurança regional.
Com o aumento expressivo do faturamento e dos empregos na indústria de armas americana nas últimas décadas, especialistas afirmam que as medidas adotadas pelo governo Trump podem agravar a circulação ilegal de armamentos no Brasil e dificultar o combate ao crime organizado.