Engenharia social é responsável por 40% das fraudes financeiras no Brasil

Golpes usam falsos call centers e operações policiais para enganar vítimas

Golpes baseados em engenharia social representam 40% das fraudes financeiras registradas no Brasil no primeiro semestre de 2026, segundo dados da Quod, empresa especializada em inteligência de dados. Essa modalidade de fraude envolve a manipulação emocional das vítimas por meio de falsos call centers, pessoas que se passam por funcionários de bancos e até supostas operações policiais para obter dados e induzir transferências.

No período, foram registrados mais de 9 milhões de indícios de fraude, com a engenharia social respondendo por mais de 3,6 milhões deles. O celular foi o principal canal utilizado, presente em 78% dos casos, enquanto o Pix foi o meio de movimentação em 85% das ocorrências. Os criminosos exploram a confiança das vítimas, criando cenários de urgência e medo para forçar decisões rápidas.

Além das ligações, os golpes combinam mensagens por WhatsApp, SMS e e-mails, muitas vezes durante semanas, e contam com recursos de inteligência artificial para tornar as abordagens mais convincentes, incluindo clonagem de voz e documentos falsificados. Jovens entre 18 e 34 anos são as principais vítimas, representando quase metade dos casos.

Para combater essas fraudes, o Banco Central ampliou o compartilhamento de informações entre instituições financeiras e criou o Registro Unificado de Fraudes (Rufra). As empresas também investem em inteligência artificial e biometria comportamental para identificar riscos, mas especialistas alertam que a prevenção deve focar na conscientização do usuário para reconhecer tentativas de manipulação antes que o prejuízo ocorra.

Entre as recomendações estão desconfiar de pedidos urgentes, confirmar informações diretamente com os bancos, não compartilhar senhas ou códigos, e evitar clicar em links suspeitos. O combate efetivo depende da combinação de tecnologia e comportamento preventivo dos consumidores.