Desigualdade no acesso à água afeta mulheres e regiões Norte e Nordeste, aponta ANA

Brasil registra avanços, mas desafios persistem em saneamento e acesso à água

Dados recentes da Agência Nacional de Água e Saneamento Básico (ANA) revelam que, apesar dos progressos, o Brasil ainda enfrenta profundas desigualdades no acesso à água potável e ao saneamento básico. Em 2023, 98,1% da população tinha acesso à água segura, mas esse índice cai significativamente em áreas rurais e nas regiões Norte e Nordeste, onde o acesso atinge menos de 82% da população.

O saneamento básico apresenta desafios ainda maiores, com apenas 59,9% da população atendida por esgotamento sanitário adequado. Na Região Norte, esse percentual é inferior a 40%, e quase metade do esgoto gerado no país não recebe tratamento, o que impacta diretamente a saúde pública e o meio ambiente.

A ANA destaca que mulheres e meninas são as mais afetadas pela falta desses serviços, pois geralmente são responsáveis pela coleta de água e cuidados domésticos, enfrentando riscos sanitários e de violência. A ausência de saneamento adequado também compromete a equidade de gênero, limitando oportunidades educacionais e econômicas para esse grupo.

Especialistas ressaltam que a gestão da água deve incluir o protagonismo feminino, reconhecendo seu papel central na preservação e uso consciente dos recursos hídricos, especialmente em comunidades vulneráveis. Além disso, a desigualdade no saneamento reflete diretamente em indicadores educacionais, com crianças sem acesso estudando menos anos em média.

A ANA reforça a necessidade de integrar políticas de água, saneamento, clima e justiça social para garantir acesso universal e sustentável, promovendo saúde, dignidade e redução das desigualdades no país.