Inflação do aluguel sobe 2,73% com impacto direto nos preços dos combustíveis
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou alta de 2,73% em abril, o maior patamar mensal desde maio de 2021, refletindo os efeitos do conflito no Oriente Médio. A inflação acumulada em 12 meses atingiu 0,61%, interrompendo um período de cinco meses consecutivos de deflação, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
O aumento foi puxado principalmente pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que subiu 3,49% no mês, refletindo o impacto do conflito na região do Estreito de Ormuz, importante rota para o transporte de petróleo. O economista do Ibre, Matheus Dias, destacou que o choque nos preços das matérias-primas e produtos petroquímicos, como sacos plásticos, influenciou significativamente os custos na cadeia produtiva.
No âmbito dos consumidores, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) avançou 0,94%, com destaque para a alta da gasolina (6,3%) e do diesel (14,9%). O aumento dos combustíveis afeta diretamente o transporte e, consequentemente, o preço de alimentos e outros produtos, devido ao encarecimento do frete.
O conflito teve início em fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, levando a retaliações que incluem o bloqueio do Estreito de Ormuz. Essa situação provocou distúrbios na logística do petróleo, reduzindo a oferta e elevando os preços internacionais, o que impacta países como o Brasil, mesmo sendo produtor.
O IGP-M é utilizado para reajustar contratos de aluguel, tarifas públicas e serviços essenciais, o que torna a alta recente um fator relevante para consumidores e setores econômicos. A FGV realiza a coleta de preços em diversas capitais brasileiras, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, para compor o índice.
Com a escalada dos preços dos derivados de petróleo, o governo brasileiro adotou medidas como isenção de impostos e subsídios para tentar conter a alta dos combustíveis, mas o cenário internacional ainda pressiona os custos no mercado interno.
