Moradores enfrentam contas altas e falta de transparência nas faturas
Moradores do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, têm enfrentado dificuldades com as cobranças da concessionária Águas do Rio, que iniciou a emissão de contas de água e esgoto na comunidade em março. Os valores, considerados elevados por muitos, chegaram a ultrapassar mil reais em algumas residências, causando preocupação entre os moradores e associações locais.
A professora Ana Lucia de Britto, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destaca que a falta de transparência nas cobranças não é um problema isolado da Maré, mas também ocorre em outras regiões atendidas pela concessionária, como Japeri. Segundo ela, a empresa adota uma lógica de ampliação de receitas que vai além da prestação do serviço básico, incluindo taxas por corte, religação e juros por inadimplência, o que eleva o custo final para os consumidores.
Na Maré, algumas faturas foram emitidas sem a identificação correta do responsável pelo imóvel, o que levou a orientações para que os moradores não efetuem pagamentos sem os dados completos. A concessionária reconheceu falhas no sistema, cancelou as cobranças incorretas e afirmou que não haverá cobrança pela instalação de hidrômetros nem pela ligação do esgoto, principal obra realizada na localidade.
Apesar da implantação da tarifa social, que estabelece o valor residencial em R$ 5 mensais, a associação de moradores local expressa preocupação com a capacidade de pagamento da população, que enfrenta vulnerabilidade econômica. A expectativa é que o Estado subsidie parte dos custos, alinhando-se a uma agenda de justiça climática que reconhece os impactos desproporcionais do saneamento inadequado em comunidades periféricas.
Em Japeri, levantamento da UFRJ identificou problemas semelhantes, com cobranças abusivas e falta de inclusão automática na tarifa social, agravando o endividamento dos moradores. A concessionária, por sua vez, informa que tem investido em melhorias e ampliado o acesso à água tratada, além de atuar para corrigir inconsistências nos cadastros e cobranças.
O caso da Maré reforça o desafio de garantir saneamento básico acessível e transparente em áreas vulneráveis, evidenciando a necessidade de monitoramento e políticas públicas que protejam os direitos dos consumidores.
