Carbono azul se destaca na agenda climática e fortalece proteção dos ecossistemas costeiros no Brasil

Ecossistemas marinhos ganham reconhecimento no combate às mudanças climáticas

No Dia Mundial dos Oceanos, celebrado em 8 de junho, especialistas ressaltam a importância do carbono azul — o dióxido de carbono capturado por ecossistemas costeiros como manguezais, marismas e pradarias marinhas — para mitigar os efeitos do aquecimento global. Esses ambientes funcionam como sumidouros naturais de carbono, retirando o gás da atmosfera e contribuindo para a redução das emissões.

O Brasil possui o maior sistema contínuo de manguezais do mundo, especialmente na região amazônica, o que posiciona o país como protagonista em iniciativas que utilizam soluções baseadas na natureza para enfrentar a crise climática. Apesar disso, o oceano ainda recebe menos atenção em comparação a biomas terrestres como a Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica.

Além da captura de carbono, esses ecossistemas costeiros são essenciais para a biodiversidade, a pesca artesanal e a proteção das comunidades litorâneas contra erosão e eventos climáticos extremos. A conservação dessas áreas também envolve o respeito aos direitos territoriais das populações tradicionais, que dependem diretamente da saúde dos mares para sua subsistência.

Organizações ambientais destacam que a proteção dos oceanos está ligada à manutenção de empregos e à segurança alimentar, já que a pesca gera milhões de empregos e fornece proteína de alta qualidade para a população. No Brasil, cerca de 1,7 milhão de pescadores artesanais dependem desses ecossistemas.

Para garantir a eficácia das ações, instituições públicas e organizações civis trabalham de forma integrada na proteção, manejo e restauração dos ambientes marinhos, promovendo também a participação das comunidades locais. Estratégias incluem o fortalecimento de áreas protegidas, conservação de recifes de coral e a promoção de uma transição energética justa, com foco na governança dos oceanos em âmbito nacional e internacional.