Bloqueios na Bolívia diminuem após estado de exceção e acordo com sindicato

Protestos recuam após 50 dias de paralisações e negociações

A Bolívia registrou uma queda significativa nos bloqueios de rodovias após a decretação do estado de exceção e a assinatura de um acordo entre o governo do presidente Rodrigo Paz e a Central Operária da Bolívia (COB). Os protestos, que duraram cerca de 50 dias contra as políticas governamentais, foram marcados por paralisações que afetaram o abastecimento de alimentos e medicamentos em várias regiões do país.

O estado de exceção, aprovado pelo Parlamento no último domingo, autoriza o governo a impor toque de recolher e utilizar as Forças Armadas para conter manifestações. No mesmo período, a COB firmou um compromisso com o Executivo, incluindo a suspensão dos bloqueios e a garantia de não criminalização dos protestos, além da formação de uma comissão para liberação de lideranças detidas.

Apesar do acordo, algumas organizações sociais mantêm a mobilização, exigindo a renúncia do presidente Paz, que enfrenta críticas desde que assumiu o cargo, após quase duas décadas de governos de esquerda. A prática de bloqueio de estradas, tradicional na Bolívia como forma de protesto, tem mostrado desgaste devido ao impacto prolongado nas cidades.

O governo também se comprometeu a não privatizar empresas públicas estratégicas e a fortalecer a mineração estatal, buscando pacificar o país. No entanto, divergências internas entre os grupos sociais dificultam uma posição unificada sobre o fim das manifestações.

Com a redução dos bloqueios para 12 pontos principais, a Bolívia inicia uma nova fase de negociações e busca estabilidade política após semanas de tensão e confrontos.