Degradação do solo e clima severo ameaçam modo de vida dos nômades na Mongólia

Comunidades tradicionais enfrentam impactos ambientais e buscam soluções na COP17

As comunidades nômades da Mongólia estão enfrentando sérios desafios devido à degradação do solo e às condições climáticas extremas. Episódios de seca e invernos rigorosos têm afetado a vegetação das estepes e causado perdas significativas no rebanho de animais, essenciais para a subsistência desses povos.

Batchuluun Maamun, nômade de 57 anos, vive na zona de amortecimento do Parque Nacional de Hustai, onde sua família se estabeleceu há quase três décadas. A região permite o uso do solo sob regulamentações ambientais, mas mesmo assim, a pressão sobre as pastagens tem aumentado, agravada pelo sobrepastoreio, mineração e eventos climáticos severos.

Segundo dados da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação, cerca de 70% do território mongol sofre com desertificação, o que compromete a sustentabilidade da vida nômade. Em resposta, algumas famílias têm deixado áreas de pastagem em descanso para permitir a recuperação da vegetação, além de buscar diversificação na criação e uso mais eficiente dos recursos.

A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), realizada em Ulaanbaatar, é vista como uma oportunidade para discutir e implementar medidas que possam proteger tanto o meio ambiente quanto as comunidades tradicionais. Os nômades esperam que o debate sobre seca e manejo sustentável do solo gere políticas eficazes para garantir a continuidade desse modo de vida.

Para os moradores locais, o equilíbrio entre os conhecimentos tradicionais e a adoção de tecnologias, como o uso de energia solar, é fundamental para enfrentar os desafios atuais sem comprometer a relação histórica com a natureza. A proteção do ambiente, para eles, significa utilizar os recursos de forma consciente, evitando a exploração excessiva que leva à destruição do solo.