Galípolo destaca necessidade de coibir práticas que ameaçam estabilidade financeira
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, manifestou preocupação com a pressão exercida por instituições não bancárias para utilizarem o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) na captação de recursos junto ao varejo. Segundo ele, muitas dessas empresas, principalmente de pequeno e médio porte, buscam operar de forma semelhante aos bancos, mas sem possuir ativos suficientes para garantir essas operações.
Galípolo ressaltou que essa prática pode gerar desequilíbrios no sistema financeiro, uma vez que essas instituições competem com bancos tradicionais sob regras menos rigorosas, oferecendo prazos maiores e exigindo menos garantias. Para conter esse comportamento, o Banco Central e os reguladores têm adotado medidas específicas para preservar a integridade do FGC.
O FGC, criado em 1995, tem papel fundamental na proteção dos investidores e na estabilidade do sistema financeiro nacional, garantindo reembolso de depósitos e investimentos até limites estabelecidos por CPF ou CNPJ. Recentemente, o fundo tem atuado no ressarcimento de credores afetados por fraudes no Banco Master, com desembolsos que ultrapassam R$ 40 bilhões.
Durante as comemorações dos 30 anos do FGC, Galípolo reforçou a importância do fundo como instrumento de segurança e confiança para o mercado financeiro, destacando que a atuação responsável das instituições é essencial para a manutenção dessa estabilidade. A exposição "O FGC e a Rede de Proteção do Sistema Financeiro Nacional", aberta até setembro em São Paulo, detalha a trajetória e o funcionamento do fundo ao longo das últimas três décadas.
O Banco Central segue atento às dinâmicas do mercado para garantir que o FGC continue cumprindo seu papel de proteção ao investidor e de suporte ao sistema financeiro, evitando riscos decorrentes de práticas inadequadas por parte de empresas que buscam se beneficiar indevidamente do fundo.