Ministério da Saúde encaminha pedido para incorporar carbotegravir na rede pública
O Sistema Único de Saúde (SUS) deve disponibilizar até o final deste ano uma nova forma de profilaxia pré-exposição (PrEP) contra o HIV, por meio do medicamento injetável carbotegravir. Essa alternativa proporciona proteção prolongada, com aplicação a cada dois meses, evitando a necessidade do uso diário de comprimidos.
O Ministério da Saúde vai encaminhar à Comissão Nacional de Incorporação de Novas Tecnologias no SUS (Conitec) o pedido para incluir o carbotegravir no rol de medicamentos oferecidos gratuitamente. A Conitec avaliará o custo-benefício da proposta antes de emitir uma recomendação, mas a decisão final caberá ao Ministério.
O governo está em negociação com a farmacêutica GSK para definir o preço e a quantidade de doses a serem adquiridas, tendo recebido uma oferta considerada adequada. O ministro da Saúde destacou a importância de garantir preços acessíveis para que o medicamento seja incorporado ao sistema público.
Embora exista outro medicamento, o lenacapavir, que oferece proteção por até seis meses, seu custo elevado inviabilizou a compra pelo SUS. O Brasil não faz parte do acordo de licenciamento voluntário para produção de versões genéricas desse medicamento, o que tem gerado críticas no âmbito internacional.
Atualmente, o SUS já oferece a PrEP em comprimidos diários, com mais de 350 mil usuários. Estudos indicam que a versão injetável pode melhorar a adesão ao tratamento, pois 83% dos participantes de pesquisa preferiram a aplicação mensal e 94% cumpriram o cronograma de doses, mantendo a proteção contra o vírus.
A expectativa é que a incorporação do carbotegravir amplie as opções de prevenção ao HIV no país, contribuindo para o controle da epidemia.