Governo Federal detalha pacote para mitigar impacto do tarifaço dos EUA

Medidas visam apoiar exportadores e ampliar mercados internacionais

O vice-presidente Geraldo Alckmin esclareceu que a Lei da Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso, não se trata de retaliação contra os Estados Unidos, mas de uma resposta institucional para corrigir desequilíbrios comerciais. A declaração foi dada após reunião com empresários dos setores afetados pelas tarifas americanas, que impuseram sobretaxas de até 25% sobre produtos brasileiros, com possibilidade de acréscimo de 12,5%, impactando cerca de 18% das exportações para os EUA, o equivalente a US$ 7,4 bilhões.

O governo federal estruturou um pacote de apoio baseado em três eixos principais: oferta de crédito para capital de giro e investimentos via programa Brasil Soberano, flexibilização temporária de regras tributárias para exportadores e intensificação da busca por novos mercados internacionais. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) deve focar em países como Índia, México, Japão, Singapura e na negociação de acordos comerciais com blocos como União Europeia e Mercosul.

Setores como eletroeletrônicos, máquinas, equipamentos, autopeças e calçados são os mais afetados pelas tarifas americanas, dada a forte dependência do mercado dos EUA, que representa até um quarto das exportações em alguns segmentos. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços planeja concluir até o final do mês reuniões com representantes desses setores para consolidar o diagnóstico dos impactos e definir o pacote de medidas de apoio.

Além disso, há expectativa para a decisão dos Estados Unidos sobre a aplicação cumulativa da sobretaxa de 12,5%, prevista para ser anunciada na próxima sexta-feira, e para a entrada em vigor da sobretaxa de 25% em 29 de julho. O governo brasileiro também prepara uma missão oficial à Índia para ampliar oportunidades comerciais, especialmente para fabricantes de máquinas e equipamentos.

Com essas ações, o Executivo busca reduzir a dependência do mercado americano e minimizar os prejuízos causados pelas tarifas, mantendo diálogo constante com os setores produtivos e adotando medidas legais para proteger a competitividade das exportações brasileiras.