Anistia Internacional denuncia EUA, Israel e Rússia por enfraquecerem o multilateralismo global

Relatório aponta ataques ao direito internacional e impactos em direitos humanos em 144 países

A Anistia Internacional divulgou nesta terça-feira (21) seu relatório anual sobre a situação dos direitos humanos em 144 países, acusando Estados Unidos, Israel e Rússia de ações que comprometem o sistema multilateral e os direitos civis globais. A organização destaca que esses países promovem ataques predatórios contra o direito internacional e a sociedade civil.

Segundo a secretária-geral da Anistia, Agnès Callamard, o sistema multilateral está sob ameaça não por ineficácia, mas por não favorecer interesses hegemônicos de determinados atores políticos e econômicos. Ela defende a necessidade de enfrentar falhas e garantir a aplicação igualitária das normas internacionais.

O relatório destaca que Israel mantém um sistema de apartheid contra os palestinos, intensificando a expansão de assentamentos ilegais e permitindo ataques de colonos com impunidade. Os Estados Unidos são apontados por execuções extrajudiciais e ações agressivas, como o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro de 2026. Além disso, o uso da força contra o Irã por EUA e Israel gerou retaliações e agravou conflitos na região, com graves consequências para civis e o meio ambiente.

Na Europa, a Anistia denuncia os bombardeios russos contra infraestruturas civis na Ucrânia e critica a postura conciliatória da União Europeia diante dessas violações. No Brasil, o relatório ressalta a violência policial, especialmente na Operação Contenção no Rio de Janeiro, que resultou na morte de mais de 120 pessoas, predominantemente negras e de comunidades pobres, além da persistência da violência de gênero e ataques contra pessoas LGBTI.

A organização conclama o Brasil a implementar medidas efetivas para combater a violência policial, avançar na demarcação de terras indígenas e quilombolas, enfrentar a crise climática e garantir os direitos humanos sem discriminação. O relatório reforça a urgência de fortalecer o multilateralismo para proteger populações vulneráveis e assegurar a justiça internacional.